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Glaucoma - Doenças
Oculares
O termo glaucoma refere-se a um grupo de doenças com diferentes
características e sintomas, que têm em comum a lesão do nervo
óptico e uma diminuição do campo visual, causadas geralmente
pelo aumento da pressão intraocular (PIO).
Incidência
Estima-se que, no ano 2000, cerca de 66,8 milhões de pessoas
sejam portadoras de glaucoma em todo o mundo e, dessas, 6,7
milhões sejam bilateralmente cegas.
O glaucoma pode afetar pessoas de todas as idades. Para os
pesquisadores, pessoas acima de 60 anos apresentam maior risco
de desenvolver a doença, assim como pessoas cujos pais tiveram
glaucoma e os diabéticos.
Mesmo nos países desenvolvidos, estudos populacionais mostram
que aproximadamente metade dos pacientes identificados com
glaucoma desconhecia ser portador da doença. Estima-se
que no Brasil meio milhão de adultos, idosos e crianças apresentem
glaucoma.
O glaucoma é um importante problema de saúde pública, porque:
- É uma doença silenciosa, que pode provocar poucos sintomas
e passar despercebida por uma boa parte dos doentes;
- Leva à cegueira irreversível, produzindo assim grandes
perdas individuais e sócio-econômicas, tornando a pessoa
inapta para o trabalho e as atividades normais;
- A lesão do nervo óptico causada pelo glaucoma – está associada
com perda gradual do campo visual, que pode levar à cegueira
total irreversível se a doença não for diagnosticada e tratada
adequadamente.
Fatores de risco
Além da pressão intra-ocular, outros que fatores contribuem
para as lesões do glaucoma são:
- Hipertensão arterial (aumento da pressão sangüínea) –
esta acaba por lesar os vasos sangüíneos como um todo, ao
longo dos anos, afetando também os vasos oculares;
- Diabetes mellitus – pelas mesmas razões acima;
- Doenças vasculares ou outras doenças que possam comprometer
a taxa de fluxo sangüíneo ou a estrutura e integridade da
microcirculação ocular;
- Catarata – a catarata de longa data (madura) pode liberar
fragmentos do cristalino que obstruem a malha trabecular;
- Cirurgias ou traumatismos oculares – liberam restos de
tecido e aumentam a concentração de células inflamatórias,
podendo obstruir a malha trabecular.
Sintomas
O glaucoma crônico é uma doença silenciosa, que freqüentemente
é diagnosticada já em estágio mais avançado. Na grande
maioria dos casos, o paciente não sente dor, diminuição da
acuidade visual, ardor ou qualquer outro sintoma.
É difícil o paciente perceber a doença porque primeiro é
alterada a visão periférica, tornando o campo de visão cada
vez mais estreito, e só depois a visão central. Geralmente
a pessoa só percebe que algo está errado quando ela começa
a esbarrar, de lado, nos objetos, porém, aí o campo visual
já está muito prejudicado. Por isso, é importante que
todos os pacientes com mais de 40 anos ou com história familiar
de glaucoma sejam avaliados por um oftalmologista através
da tonometria, pelo menos uma vez por ano.
A criança com glaucoma mostra sintomas como:
- viver tropeçando nos objetos;
- fotofobia;
- lacrimejamento;
- dor nas fases mais avançadas;
- aumento do globo ocular e córnea opaca, nos casos graves.
Normalmente, a doença não pode ser prevenida. Porém,
com a detecção nos estágios iniciais e com o tratamento adequado,
as lesões do glaucoma podem ser prevenidas.
O glaucoma pode levar à cegueira irreversível se não tratado
corretamente e a tempo, pois provoca lesão do nervo óptico.
Em casos mais avançados, pode ser necessário o tratamento
cirúrgico.
Tratamento
O objetivo do tratamento clínico é reduzir a pressão intra-ocular
para um nível que não cause lesões adicionais na papila, no
nervo óptico.
A redução da pressão mostrou-se eficaz, porém, alguns pacientes
ficam cegos mesmo com pressões inferiores a 20 mmHg e, em
outros pacientes, a função visual é preservada por muitos
anos mesmo com pressões elevadas.
Por essas razões, outros fatores, como os vasos sangüíneos,
também podem ter seu papel na fisiopatologia do glaucoma,
assim como a pressão intra-ocular.
Algumas considerações sobre o tratamento clínico:
- O tratamento clínico do glaucoma é feito geralmente com
colírios e representa a primeira etapa do tratamento; quando
este não é suficiente, opta-se pelo tratamento cirúrgico
(ex. trabeculoplastia com laser de argônio). Após a cirurgia,
é necessário o uso de colírios e outros medicamentos para
manter níveis apropriados de pressão intra-ocular;
- Todos os medicamentos desenvolvidos para o tratamento
do glaucoma possuem alguma eficácia e também alguns efeitos
colaterais. O medicamento ideal é aquele que reduz
a pressão intra-ocular quando usado durante um período longo,
produzindo mínimos efeitos sistêmicos;
- O tratamento clínico pode ser iniciado com um único
medicamento, o que se chama de monoterapia. Outros
medicamentos podem ser adicionados, se for necessário, para
reduzir ainda mais a pressão intra-ocular. O tratamento
com mais de um medicamento é chamado de tratamento coadjuvante
ou tratamento aditivo;
- A educação do paciente é um elemento importante em qualquer
tratamento, principalmente no glaucoma, pois muitos pacientes
não usam a medicação prescrita. Os pacientes e as
pessoas que cuidam deles devem ser educados sobre as causas,
a importância do tratamento de uma doença que não produz
sintomas e as razões para o tratamento se prolongar por
toda a vida. Isso aumenta a adesão do paciente ao tratamento
e, conseqüentemente, o sucesso do mesmo.
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